Ultimamente as diferenças culturais entre oriente e ocidente andam bem em evidência pelos jornais daqui. Muitas pessoas sendo presas por “indecência” e o que estão chamando de “public display of afection”. Digo logo, abraço e beijinho não são vistos com bons olhos pelos locais. Mais de 70 pessoas foram presas na praia por indecência e a polícia promete que a campanha vai continuar. Não sei exatamente o que essas pessoas faziam na praia para serem presas, os jornais não dão detalhes.

Aqui, um exemplo de uma notícia claramente de uma cultura bem diferente da nossa. Clique na imagem para ler a matéria:

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Esta notícia foi publicada hoje na capa do jornal “7Days”, um tablóide de destribuição gratuita aqui nos EAU.

Uma simples ida ao supermercado ontem à noite me rendeu um episódio interessante. Do tipo que não se poderia deixar de se blogar. Tuco começou com copos. Ou com a falta deles.

Nunca passaria naquele espeçífico corredor daquele enorme supermercado, nem jamas olharia com atenção aquelas prateleiras se não estivesse precisando comprar novos copos. E nessa pesquisada, bati meu olho numa coisa muito familiar. Uma embalagem azulzinha, com uns detalhes interessantes… familiar até demais. Poucas pessoas conhecem aquela embalagem tão bem quanto eu, já que fui eu o designer responsável por ela. Há uns bons 5 anos atrás, há uns bons 10 mil km de distância.

Como poderia eu estar preparado pra ver aqui em Dubai, na prateleira de um hipermercado, uma embalagem que eu fiz no meu primeiro emprego, na saudosa Extra Comunicação de Recife? Pois é, fiquei esbasbacado. Começei a rir. E senti muito de perto e num nível bem pessoal o que é globalização. E, lógico, puxei meu celular do bolso e tratei de tirar uma foto:

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“Aqui tem tanto Porsche que, se você ficar em Dubai, vai acabar andando num mais cedo ou mais tarde.” A gente escuta esse tipo de coisa por aqui. E minha hora chegou 6 meses depois de desembarcar nessa cidade hiperbólica. Mas essa estória não é só glamour, não. Começou com uma cena bem comum na publicidade brasileira: numa manhã de quinta-feira fui eu e mais um monte de gente da agência servir de modelo para umas fotos porque o cliente não tinha veba suficiente pra contratar modelos. E nesse grupo, inclusive, um dos filhos do dono da agência, que dirige um Porsche Carreira S vermelho. Um dos modelos mais caros.

Terminei minha foto rapidinho, pois tinha que voltar logo ao escritório porque, como é mesmo em todo canto do mundo, um designer tem prazo pra terminar os trabalhos. Havia um motorista da agência esperando quem fosse saindo pra levar direto de volta pro tronco. Eu já estava sentadinho no banco do passageiro de um carrinho velho branco, com um tapetinho persa fazendo as vezes do capete do carro. E no meio daquele calor, havia o mencionado Porsche Carreira S vermelho impedindo a saída do estacionamento. Eu eu já pensando “olha pra isso, só porque é rico acha que pode ficar atrapalhando o trânsito…”

Mas nessa hora me sai do estúdio meu diretor de criação - que já tinha tirado a foto dele - e ia levar o carro do colega de volta ao escritório. Não é coincidência: 1 Porsche verelho, 1 lugar sobrando, 1 só destino. Um milessegundo depois de escutar a pergunta “Quer ir de Porsche?” eu já estava sentado no banco do passageiro.

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Esse é pra continuar com a série de posts “Dubai não é só glamour”. Eu, como designer, fico logo assustado quando vejo embalagens como essas:

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Nas gôndolas de Dubai, sopas famosas que não se encontra no Recife e a versão local de um produto bem conhecido nosso.

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A Dubai de que vocês ouvem falar é a Dubai do glamour, do bling, do posh. Mas Dubai também tem seus equivalentes de Casa Amarela, Arruda e Rio Doce. Andar na rua na cidade é uma experiência que lembra Recife. A gente vê como a população mais simples vive a vida, andando muito pela rua, trabalhando sob o sol. Um povo simples que se esforça. Que ganha mal. Que é liso. Que tem mal gosto. Feito no Brasil. Dubai tem esse outro lado também, que ouso mostrar.
Uma curiosidade sobre Dubai: todo mundo chega aqui de avião. Inclua-se aí todos os trabalhadores da construção e a família desses que citei no parágrafo anterior. O interior do aeroporto é lindo e todo suntuoso. Mas qundo você sai, você se sente numa rodoviária. Você vê aquele povo esforçado. Que quer estar penteado, cheiroso, lindo e joiado para receber os parentes. É no meio desse esforço que se vê pérolas da moda da rua de Dubai. Esse foto foi tirada lá no aeroporto. Não deu pra não tirar… A cuequinha do Super-homem estava irresistível!

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Mudei

De endereço. Me mudei no último sábado. Por essa e outras ando muito sem tempo livre pra postar alguma novidade. Mas tem um monte de coisas na fila. Estou morando agora longe da praia, mais perto da cidade. E mais perto ainda do deserto. A vida está boa.

No mais, o verão tá começando a pegar pesado. Humidade gira em torno de 60% esses dias, com máximas que sempre passam dos 40 e mínimas que já deixaram de recuar pra menos de 30. Quem acompanha esse blog desde o começo, sabe como isso se resolve aqui no Oriente Médio: ar condicionado em todo canto. Só ir pra rua se realmente precisar. A expressão “tomar um ar fresco” essa época já não faz mais sentido.

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Clique para aumentar. Esta foto andou rolando pelos emalis por aqui. Não tenho como creditar, porque não sei os créditos. Pra mim é um marketing viral. Que funciona, diga-se de passagem. Vide este blog.

A foto foi tirada do topo do Burj Dubai, estrutura mais alta do mudo contruída pelo homem, há algumas semanas atrás, provavelmente. Coloquei na imagem alguns pontos de referência para se ter idéia do tamanho do prédio.

É só um problema com meu servidor. Existe um limite de transmissão de dados. Isso quer dizer que quando o blog é muito visitado, passa-se da quota contratada. Boa notícia, porque tem mais gente vendo o blog. Má notícia porque vou ter que resolver esse problema. Esse mês isso já não vai mais acontecer. Inxala.

Quem lê meu blog há algum tempo lembra bem dos posts em que eu falei que a internet aqui é bloqueada pela Etisalat, uma das duas únicas provedoras de acesso. Bloqueiam os sites que “desrespeitam os valores locais”. E quem leu mais, viu eu dando graças à Du, a nova operadora que surgiu para acabar com o monopólio da Etisalat. A Du não bloqueava internet, por isso fiquei feliz em assinar seu serviço.

Opinei também, querendo ser o analista de mercado, afirmando que acreditava que a Du agora teria uma vantagem mercadológica, já que não bloqueava a internet. Ainda bem que sou designer. Porque ontem a Du passou a bloquear os sites desrespeitosos.

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Triste. Uma pena. Me parece uma tentativa desesperada de impor um pouco da fraca cultura local, tentando de um jeito bastante trapalhão - na minha opinião - frear a evidente e inevitável ocidentalização do país. É muito hipócrita convocar mão de obra estrangeira especializada e não especializada para desenvolver o país e, como o dono da bola, impor regrinhas bobas ao jogo só pra manter o orgulho - porque se não obedecer, não joga.

Soube através fontes seguras que a Du pagava multas por ainda não bloquear sites indecorosos, e que muita gente ia bater palmas quando a Du finalmente o fizesse. Parece que era isso mesmo.

Ao contrário da Etisalat, a Du não está bloqueando o www.skype.com. Vamos ver se isso vai mudar no futuro, mas esse fato me intrigou. Existia uma teoria que a Etisalat bloqueava o Skype pra não sofrer concorrência de uma alternativa tão barata. Talvez não bloqueando o Skype a Du (que também provê telefonia fixa) esteja tentando manter aquela vantagem mercadológica que eu mencionei.

Não vou ser ingênuo a ponto de afirmar que o bloqueio existe apenas por orgulho. Certamente existem questões de interesse econômico e/ou político por trás do bloqueio. Mas não consigo vê-las, da minha perspectiva limitada.

Dando uma de analista novamente, acredito que esse tipo de interferência não é bom para o mercado, porque não tem nenhuma base econômica. Não é um modelo muito eficiente, como explica o livro que estou lendo no momento (The Undercover Economist, de Tim Harford, muito bom por sinal). No livro, Hardford explica que num mercado totalmente eficiente, não há como melhorar a situação de alguém sem piorar a situação de outro. Ou seja, se você pode melhorar a situação de uma pessoa sem piorar a de outra, o mercado fica mais eficiente.

Imagine neste caso, se a provedora de internet oferecesse o acesso com bloqueio por um preço X. Se você quisesse internet desbloqueada, pagaria um serviço extra, X+Y. Dessa maneira os locais conservadores poderiam proteger sua família e seriam confortados sabendo que se os estrangeiros quisessem acessar conteúdo “desrespeitoso”, teriam que pagar um preço por isso. E os estrangeiros, por sua vez, pagariam com prazer a diferença para ter sua internet desbloqueada. Isso significa que todos ficam em situação melhor, inclusive o provedor, que terá mais lucros.